“1957, billie holiday”, de manuel de freitas

“Não pude estar lá, confesso.

Poupa-nos imensas lágrimas,

virtuais ou nem por isso,

o tempo que não vivemos.

À distância, contudo, aflige-me

a cadeira onde morria

um sorriso que já só no chão

se fazia voz – um modo

de perder apenas compreendido

pela outra (?) voz de Lester.

O mais, admito, pouco

me interessa. Dispensava até

o inflamado frémito de Roy

Eldrige, sujando a elegia

de que era, afinal, mero figurante.

À sombra de uma cadeira.

a morte; nestes versos,

insonoros,  o não saber morrê-la.

Manuel de Freitas in Jukebox 1 & 2